Registro de Marca em Florianópolis: O Passo a Passo para Startups e Freelancers

Introdução

 

Florianópolis vem se consolidando como um dos mais vibrantes polos de inovação do país. Conhecida como “Ilha do Silício”, a cidade abriga um ecossistema pulsante de startups, freelancers e empreendedores criativos que transformam boas ideias em negócios de alto impacto.

Mas há um ponto que, muitas vezes, passa despercebido nesse entusiasmo inicial: a proteção do nome e da identidade da marca. Muitos veem o registro de marca apenas como uma “burocracia” ou um “custo”, quando na verdade ele representa o primeiro passo para transformar um nome criativo em um ativo estratégico valioso, exclusivo e defensável.

Neste artigo, você encontrará um guia prático, direto e sem “juridiquês”, para entender como registrar sua marca no INPI, proteger seu negócio e evitar dores de cabeça no futuro.

 


 

Por que ter um nome não significa ser dono dele? A realidade do registro no Brasil.

 

Ter um CNPJ e um nome fantasia não significa, juridicamente, que você é o dono daquele nome. Essa é uma das confusões mais comuns entre empreendedores e profissionais liberais.

 

1. Razão Social x Marca Registrada

Razão Social é o nome da sua empresa no CNPJ — um registro de natureza tributária e burocrática. Já a marca registrada é o sinal distintivo (nome, logotipo ou ambos) que identifica seus produtos ou serviços perante o público e o mercado. Ter um CNPJ não impede que outra pessoa registre uma marca igual ou semelhante ao nome da sua empresa — e, pior, ela poderá legalmente impedir você de usá-lo.

 

2. O Princípio do “First to File” — Quem Registra Primeiro é o Dono

A Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), administrada pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), adota o princípio do first to file, ou seja: quem registra primeiro, é o dono da marca. Não importa quem “usava antes” ou “teve a ideia primeiro” — o direito é de quem efetivamente deposita o pedido no INPI e cumpre todas as etapas legais.

 

3. O Risco de Não Registrar

Sem o registro, você não tem exclusividade de uso. Na prática, um concorrente pode registrar seu nome antes de você e, legitimamente, exigir que pare de utilizá-lo, inclusive em redes sociais, domínios de site e materiais publicitários. Imagine ter que recomeçar do zero, trocar logotipo, domínio, redes e identidade visual… é um risco real — e caro.

 


 

O passo a passo simplificado para o registro da sua marca no INPI

 

Agora que você entendeu a importância estratégica, veja como funciona, na prática, o processo de registro de marca no INPI.

 

Passo 1: A Busca de Viabilidade (Busca de Anterioridade)

Antes de investir tempo e dinheiro em uma marca, é essencial verificar se ela já existe. Essa pesquisa, chamada de busca de anterioridade, avalia se há registros ou pedidos semelhantes já depositados no INPI.

👉 Uma boa busca evita problemas como indeferimento do pedido ou, pior, processos por uso indevido de marca alheia.

 

Passo 2: A Definição das Classes (Classificação de Nice)

O INPI utiliza o sistema internacional de Classificação de Nice (NCL), que divide as marcas em 45 classes diferentes — 34 de produtos e 11 de serviços. Cada classe representa um segmento de mercado, e a proteção da marca vale apenas dentro das classes em que foi registrada.

Exemplo prático: Uma startup de software pode precisar registrar sua marca na Classe 09 (software como produto) e na Classe 42 (serviços de SaaS – Software as a Service). Escolher as classes corretas é decisivo para garantir uma proteção completa e estratégica.

 

Passo 3: O Depósito (Protocolo) do Pedido

Aqui começa o processo formal junto ao INPI. Você preenche o formulário eletrônico, anexa as informações da marca e paga as taxas iniciais (com descontos para MEIs, startups e pequenas empresas). Após o depósito, o INPI gera um número de processo, e sua marca passa a constar como “pedido em exame”.

 

Passo 4: O Acompanhamento – A Fase Crítica

Muitos empreendedores acham que, após o protocolo, basta “esperar o resultado”. Esse é um erro comum. O acompanhamento ativo é fundamental. É preciso monitorar a Revista da Propriedade Industrial (RPI), publicada semanalmente, para observar oposições de terceiros, exigências técnicas do examinador e prazos para manifestações obrigatórias. Perder um prazo pode significar o arquivamento do pedido.

 

Passo 5: A Concessão do Registro

Após a análise técnica e o deferimento do pedido, você deve pagar a taxa de concessão. O INPI então emite o Certificado de Registro de Marca, documento que garante a exclusividade de uso em todo o território nacional por 10 anos, renováveis.

 


 

Contratar um advogado para Registro de Marca em Florianópolis: um custo ou um investimento estratégico?

 

“Posso fazer sozinho?” — a pergunta clássica. Sim, o INPI permite. Porém, fazer sozinho não significa fazer certo. Registrar uma marca não é apenas preencher formulários, mas definir uma estratégia de proteção. É aí que o advogado especialista em Propriedade Intelectual faz a diferença:

 

  1. Análise Estratégica: O advogado identifica o tipo correto de marca (mista, nominativa, etc.), as classes adequadas para abranger toda a atuação do negócio e possíveis conflitos que podem impedir o deferimento.

  2. Redução de Riscos e Cumprimento de Prazos: O profissional realiza o acompanhamento contínuo do processo, garantindo que nenhum prazo crucial seja perdido.

  3. Defesa Ativa em Caso de Oposição: Caso outra empresa se oponha ao seu pedido, o advogado poderá elaborar a defesa técnica, sustentando a legitimidade da sua marca.

 

Portanto, contratar um advogado não é um custo, mas sim um investimento na segurança jurídica e na valorização da sua marca.

 


 

Conclusão

 

Como vimos, registrar sua marca é muito mais do que um procedimento burocrático — é o ato de formalizar o seu ativo estratégico mais importante: a identidade do seu negócio. Startups e freelancers que entendem isso desde o início ganham vantagem competitiva e evitam litígios desnecessários.

Se você é um fundador de startup ou freelancer em Florianópolis e está pronto para transformar sua marca em um ativo protegido, não deixe para depois. Agende um diagnóstico e vamos juntos construir a fundação para o seu crescimento seguro.

 

💡 Dica de Mentor: O mercado de inovação de Florianópolis é dinâmico, criativo e competitivo. Proteger sua marca desde o início é o que diferencia quem apenas tem uma ideia de quem constrói um legado.

Advogado de Direito Digital

Dr. Thiago Couto Gonzaga

Especialista em Direito Digital, Membro da Comissão de Direito Digital da OAB/SC e Entusiasta da Tecnologia